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Hipertireoidismo felino

Doença pouco diagnosticada ainda no Brasil, é muito comum e aumenta o metabolismo e causa alterações em vários sistemas em felinos

Hipertireoidismo felino

anatomia tireóide gatoO hipertiroidismo é uma doença polissistêmica que se caracteriza pela exposição crônica do organismo a altas doses de hormônios tireoidianos, o aparecimento dos sinais é rápido, porém no primeiro ano eles começam muito discretos. Em gatos acontece pelo aumento ou formação de nódulos em um ou ambos os lobos da tireóide, que pode ser mais comumente uma hiperplasia adenomatosa funcional, mas também pode ser um carcinoma (1-2% dos casos). O metabolismo do animal ficará aumentado pelas concentrações circulantes elevadas de hormônios tireóideos.  

No Brasil é pouco diagnosticada ainda, mas é uma doença muito comum em gatos idosos, nos Estados Unidos é a doença hormonal mais frequente em gatos. Não há predisposição sexual e nem racial. É mais comum em gatos idosos e que costumam comer alimentos em lata, pois nessas latas contém iodo e bisfenol que são tireotóxicos. Também é comum encontrar gatos com tumor na tireóide que têm proprietários fumantes, pois os animal têm absorção da nicotina por aspiração e ao lamberem a pelagem.

Sinais Clínicos

gato com perda de peso e pêlos opacosOs sinais clínicos são multissistêmicos e refletem pelo aumento no metabolismo. Há perda de peso, pois irá aumentar o gasto energético do organismo. Há aumento de apetite e aumento do volume fecal, pois o peristaltismo vai ficar acentuado, não vai ter proveito de tudo o que come e pode até ter diarréia. Há aumento de ingestão de água e o animal irá urinar mais. A pelagem fica ressecada pela absorção alimentar inadequada. O gato vai ficar hiperativo e ansioso, podendo miar mais, chamar mais o dono, dormir em lugares diferentes do costume e fica impaciente, podendo brigar com outros gatos. Há taquicardia, pois a pressão aumenta e consequentemente há aumento do coração, por isso começa a ter sinais de insuficiência renal. Pode ter problemas respiratórios e o nódulo da tireóide em 70% dos casos é palpável. Uma complicação comum é o tromboembolismo. Quando há letargia, fadiga e anorexia é um sinal de hipertireoidismo atrófico e o prognóstico nesse caso é ruim.

Diagnóstico

aumento tireóideHá alterações não patognomônicas no hemograma, exames bioquímicos e ecocardiograma devido às complicações da doença, que deverão ser acompanhadas ao longo do tratamento, mas o exame que pode confirmar o quadro é o ultrassom da tireóide e se houver massa deve sempre fazer biópsia e a dosagem de t4 total por radioimunoensaio felino.

Tratamento

O tratamento mais comum é feito com inibidores da síntese do hormônio tiroidiano que deve ser acompanhado com dosagem de T4 para ajustar a dose.  Se o gato apresentar anemia, trombocitopenia, neutropenia, anorexia, vômito e diarréia o tratamento deve ser descontinuado.

gato fluidoterapiaNo caso de carcinomas também pode ser necessário o uso de quimioterápicos ou destruição química da tireóide, fora do Brasil também fazem radioterapia.  Há a possibilidade de retirar a tireóide (uni ou bilateral) cirurgicamente também. Nesses casos os hormônios tireoidianos deverão ser repostos sinteticamente.

Devem-se tratar também as complicações da doença como a insuficiência renal crônica, cardiopatias, diabetes mellitus, tromboembolismo, hipotireoidismo iatrogênico e hipocalcemia.

A dieta deve ser mudada, pois a má absorção de nutrientes e o metabolismo aumentado sugerem uma dieta altamente digerível com boa disponibilidade de proteínas. 

Patrícia Maíra Paulino M.V. Patrícia Maíra Paulino • CRMV-SP 27889
Médica Veterinária • Pós-Graduada em Dermatologia Veterinária

Atualmente atende exclusivamente Dermatologia de pequenos animais em hospitais e clínicas veterinárias.

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