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Cinomose

Doença comum e grave, contagiosa em cães e pode ser prevenida com a vacina polivalente V10

Cinomose

Vou começar a fazer uma série de posts sobre as doenças que a vacina polivalente, conhecida como “V10” de cães previne, começando pela Cinomose.

A cinomose é uma doença viral, contagiosa, aguda e subaguda e pode ser fatal muitas vezes. Tem manifestações no sistema respiratório, gastrointestinal e neurológico. É causada por um vírus da família Paramyxoviridae e acomete muitas espécies da ordem carnívora, como cães, guaxinis, camgambás, raposas e há relatos em grandes felinos.

Convulsão devido a cinomoseGeralmente a contaminação é por via aerógena e exposição a secreções nasais e bucais, a partir dai o vírus vai infectar células de defesa da cavidade nasal, faringe e pulmões e essas células vão levar o vírus até os linfonodos regionais onde ocorre a replicação viral. Dentro de uma semana mais ou menos praticamente todos os tecidos linfáticos vão ser infectados e a vai ser disseminado para o trato respiratório, gastrintestinal, urogeninal e sistema nervoso central.

Não há predisposição racial e sexual, os animais jovens são mais suscetíveis que os adultos.

Sinais Clínicos

hiperqueratose nasalNo começo da infecção os sinais podem ser brandos ou nulos, como a febre em 3 à 6 dias após a infecção. Alguns dias mais tarde a febre pode continuar e estar associada à secreção nasal e ocular, depressão e falta de apetite. Após essa fase o animal começa a apresentar sinais gastrintestinais como vômitos e diarreia e dificuldades respiratórias.

Nem sempre ocorrem alterações do sistema nervoso, vai depender da cepa viral atingida, quando sim, aparecem na fase final da doença e poderão acontecer crises epilépticas, contrações repentinas involuntárias (mioclonia) com depressão, incoordenação, ataxia, paresia, paralisia, tremores musculares, alta sensibilidade e rigidez cervical.  

Pode ter alterações oculares como neurite óptica, lesões retinianas e uveíte anterior. Observa-se engrossamento dos coxins e do focinho, podendo apresentar rachaduras.

Geralmente há infecções bacterianas secundárias no sistema respiratório e gastrintestinal.

Diagnóstico

Corpúsculo de lentzO diagnóstico é feito pelo conjunto de sinais e sintomas, histórico (como o contato com animais desconhecidos e doentes) associados com exame de sangue e radiografias.

Se encontrado o chamado “corpúsculo de lentz” em células no exame de sangue o diagnóstico pode ser fechado com certeza. Há exames sorológicos específicos, porém não dá para diferenciar os animais infectados pelo vírus dos animais vacinados.

Tratamento

Cão internadoQuanto mais cedo o animal começar a ser tratado, mais chances de chegar à cura clínica, porém a maioria dos proprietários no Brasil só procuram ajuda veterinária quando seus animais já estão na fase neurológica da doença, por isso a mortalidade ainda é alta dos animais que a contraem.

O tratamento ideal deve ser feito em ambiente hospitalar, onde o animal deverá ser internado e isolado de outros animais. Deverão ser tratados os sintomas do animal, com administração de fluidos intravenosos, antitérmicos, analgesia, controle de infecções secundárias e anticonvulsivantes se necessário.  

Poderão ser usados agentes antivirais e proteínas produzidas pelo sistema imunológico para aumentar a imunidade do animal.

O índice de mortalidade de animais em tratamento é de aproximadamente 50%. Os animais recuperados da infecção não se tornam portadores do vírus. Os animais com sequelas neurológicas que afetam o movimento tem apresentado uma boa melhora com fisioterapia e acupuntura.

Prevenção

 Vacinação cãoA prevenção é feita pelo não contato de animais desconhecidos que possa estar infectados com o vírus, mas principalmente através da vacinação pela vacina V10, que previne a infecção de 10 doenças em cães, incluindo a cinomose.

A vacina tem o vírus atenuado e deve ser feita em todos animais saudáveis, com a dose à partir de 6 semanas de idade, antes dessa idade não é recomendado aplicação dessa vacina, pois os anticorpos maternos ainda estão protegendo o animal e a vacina não vai adiantar. Por isso também deverão ser feita mais 2 doses de vacina em um intervalo mínimo de 21 dias para ter certeza que os anticorpos maternos não neutralizem a vacina. Em animais adultos uma dose anual é suficiente.  

O vírus é destruído facilmente no ambiente, desinfetantes comuns já bastam para a limpeza ambiental. 

Patrícia Maíra Paulino M.V. Patrícia Maíra Paulino • CRMV-SP 27889
Médica Veterinária • Pós-Graduada em Dermatologia Veterinária

Atualmente atende exclusivamente Dermatologia de pequenos animais em hospitais e clínicas veterinárias.

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